Eclipses solares em Portugal: 2026 é o mais raro, mas 2027 será melhor!?

Portugal terá três grandes eclipses solares em três anos consecutivos. O de 12 de agosto de 2026 é o mais raro porque chega à totalidade numa pequena zona portuguesa. Em 2 de agosto de 2027, Faro verá cerca de 99,27% da área do Sol ocultada. E, em 26 de janeiro de 2028, o Algarve e a Madeira poderão observar o «anel de fogo».

Então, 2027 será melhor do que 2026? Depende do local e do que quer ver. Se estiver dentro da estreita faixa de totalidade no Parque Natural de Montesinho, 2026 não tem comparação. Para quem estiver em Faro, no Funchal ou em Ponta Delgada, a percentagem de ocultação será maior em 2027. Já 2028 oferece um fenómeno diferente: um eclipse anular, mas apenas dentro da respetiva faixa.

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Eclipses solares em Portugal: tabela de 2026, 2027 e 2028

A tabela apresenta a hora local do máximo e a percentagem da área do disco solar ocultada, segundo as previsões locais do Timeanddate. Esta percentagem é diferente da magnitude técnica, que mede uma relação linear entre os diâmetros aparentes.

Local de referência12 agosto 20262 agosto 202726 janeiro 2028
Madeira — FunchalParcial
Máximo: 19:46 WEST
77,45% ocultado
Parcial
Máximo: 09:35 WEST
97,04% ocultado
Anular
Máximo: 16:50 WET
83,20% ocultado
Anularidade: 7 min
Açores — Ponta DelgadaParcial
Máximo: 18:37 AZOST
76,86% ocultado
Parcial
Máximo: 08:33 AZOST
87,22% ocultado
Parcial
Máximo: 15:42 AZOT
60,75% ocultado
Algarve — FaroParcial
Máximo: 19:38 WEST
92,67% ocultado
Parcial
Máximo: 09:45 WEST
99,27% ocultado
Anular
Máximo: 16:55 WET
82,78% ocultado
Anularidade: 7 min 1 s
LisboaParcial
Máximo: 19:36 WEST
94,48% ocultado
Parcial
Máximo: 09:44 WEST
92,50% ocultado
Parcial
Máximo: 16:54 WET
81,23% ocultado
PortoParcial
Máximo: 19:32 WEST
98,22% ocultado
Parcial
Máximo: 09:46 WEST
82,56% ocultado
Parcial
Máximo: 16:53 WET
75,72% ocultado
Percentagem da área solar ocultada no máximo local. Os Açores têm um fuso horário diferente. Valores e horas: Timeanddate; confirme sempre as coordenadas exatas do ponto de observação.

Resposta rápida: 2026 é o único destes três anos com totalidade em território português, numa área muito pequena de Montesinho. Em Faro, Funchal e Ponta Delgada, 2027 terá maior ocultação. Em 2028, Faro e Funchal terão o «anel de fogo», mas a Lua cobrirá apenas cerca de 83% da área do Sol.

Eclipse solar de 12 de agosto de 2026: onde será total?

A NASA confirma que a faixa de totalidade atravessa a Gronelândia, a Islândia, o norte da Rússia, o Atlântico, Espanha e um pequeno canto de Portugal. No território nacional, a totalidade fica limitada a uma área restrita do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança.

O projeto nacional Eclipse 2026 resume a visibilidade desta forma: entre 92% e 99% de ocultação no continente, entre 74% e 77% nos Açores e na Madeira e 100% dentro da pequena zona de totalidade em Montesinho. O Timeanddate situa a totalidade perto de Rio de Onor, por volta das 19:30 WEST.

Porque é que o eclipse de 2026 é tão raro?

Os eclipses solares não são raros à escala do planeta. A NASA explica que existem duas épocas de eclipses por ano e que podem ocorrer vários eclipses solares em diferentes regiões. O que é raro é a faixa extremamente estreita da sombra central passar por um país — e mais raro ainda passar por uma localização concreta.

É por isso que podemos ter eclipses em anos consecutivos sem ter totalidade no mesmo sítio. Em 2027, o eclipse é total à escala global, mas a faixa de totalidade passa a sul de Portugal; em Faro será visto como parcial. Em 2028, a faixa que atravessa parte de Portugal é anular, não total: a Lua parece ligeiramente mais pequena e deixa um anel luminoso do Sol sempre visível.

É verdade que o próximo eclipse total em Portugal só será em 2144?

A frase precisa de contexto. O projeto Eclipse 2026 afirma que o último eclipse total em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo será em 2144. Esta é uma forma simples de transmitir a raridade para as zonas habitadas normalmente consideradas, mas não é a cronologia completa de todo o território português.

As tabelas do Timeanddate classificam o eclipse de 11 de maio de 2078 como total em Portugal. A totalidade prevista atinge o Palheiro da Terra, um pequeno ilhéu das remotas Ilhas Selvagens, enquanto Lisboa, Funchal e Ponta Delgada verão esse evento como parcial. Depois, o eclipse total de 26 de outubro de 2144 inclui Ponta Delgada, nos Açores, na faixa de totalidade.

Conclusão sobre 2144: não é o próximo eclipse solar em Portugal e nem sequer é a próxima totalidade sobre qualquer parcela do território. É a próxima totalidade destacada numa zona portuguesa habitada, depois do caso remoto de 2078 nas Ilhas Selvagens. A formulação exata depende, portanto, do território e das zonas habitadas incluídas na comparação.

Então, o eclipse de 2027 será melhor?

Em Faro, provavelmente será o eclipse parcial mais impressionante dos três: 99,27% da área solar ficará ocultada no máximo, às 09:45 WEST. Também será 2027 a oferecer a maior ocultação no Funchal, com 97,04%, e em Ponta Delgada, com 87,22%. Além disso, ocorre de manhã, com o Sol mais alto do que no eclipse de 2026 ao fim da tarde.

Mas 99,27% ainda não é 100%. Em Faro, a fase total não será visível e a coroa solar continuará escondida pelo brilho da pequena parte do Sol que permanece descoberta. No Porto e em Lisboa, 2026 terá uma percentagem de ocultação superior à de 2027. Para quem estiver dentro da faixa total em Montesinho, 2026 será incomparavelmente mais marcante.

  • Melhor para ver totalidade em Portugal: 12 de agosto de 2026, apenas dentro da estreita faixa em Montesinho.
  • Maior percentagem em Faro, Funchal e Ponta Delgada: 2 de agosto de 2027.
  • Melhor para ver um «anel de fogo»: 26 de janeiro de 2028, dentro da faixa anular que inclui Faro e Funchal.

O que é um eclipse solar?

Um eclipse solar ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e bloqueia total ou parcialmente a luz solar para determinadas regiões. Apesar de a Lua ser muito menor do que o Sol, também está muito mais próxima da Terra. Por isso, os dois astros apresentam tamanhos aparentes semelhantes no céu.

Quando o alinhamento é favorável, a sombra da Lua atinge a superfície terrestre. Na umbra, o Sol pode ficar completamente tapado; na penumbra, apenas uma parte do disco solar fica escondida. A geometria do alinhamento determina o tipo de eclipse que cada observador vê.

Porque não há um eclipse solar todos os meses?

A Lua passa entre a Terra e o Sol aproximadamente uma vez por mês, durante a Lua Nova. No entanto, a sua órbita está inclinada cerca de cinco graus relativamente ao plano da órbita da Terra. Na maioria das Luas Novas, a sombra lunar passa acima ou abaixo do nosso planeta.

Os eclipses só acontecem quando a Lua Nova ocorre suficientemente perto dos pontos onde os dois planos orbitais se cruzam. A NASA explica que existem duas épocas de eclipses por ano, cada uma com cerca de 35 dias e separada da seguinte por quase seis meses.

Qual é a diferença entre eclipse parcial, total e anular?

Eclipse solar parcial

Num eclipse solar parcial, a Lua cobre apenas uma parte do disco solar. Quanto maior for a percentagem de área ocultada, mais fino fica o crescente solar visível, mas o Sol continua perigoso para os olhos.

Eclipse solar total

Num eclipse solar total, a Lua tapa por completo a superfície brilhante do Sol durante alguns instantes. Isto só acontece na faixa de totalidade. O céu escurece e torna-se possível observar a coroa solar. Fora dessa faixa, o mesmo evento é visto como parcial.

Eclipse solar anular: o «anel de fogo»

Quando um eclipse ocorre com a Lua mais afastada da Terra, o seu tamanho aparente pode ser ligeiramente menor do que o do Sol. A Lua passa à frente do Sol, mas não o cobre por completo: fica visível um anel luminoso em redor do disco escuro da Lua, conhecido como «anel de fogo».

Num eclipse anular não existe totalidade: parte da superfície solar permanece sempre visível. Por isso, os óculos de eclipse têm de ser usados durante todo o fenómeno.

Eclipse solar de 2 de agosto de 2027 em Portugal

O eclipse de 2 de agosto de 2027 será total à escala global, mas parcial em Portugal. A NASA inclui-o na lista de próximos eclipses e situa a faixa de totalidade no sul de Espanha, no norte de África, na Arábia Saudita e no Iémen.

Algarve: Faro terá 99,27% do Sol ocultado

Em Faro, o eclipse começa às 08:40, atinge o máximo às 09:45 e termina às 10:56 WEST. No máximo, a Lua ocultará 99,27% da área do disco solar. Apesar de ser extremamente profundo, a fase total não será visível na cidade.

Madeira, Açores, Lisboa e Porto

No Funchal, o máximo ocorre às 09:35 WEST, com 97,04% da área solar ocultada. Em Ponta Delgada, acontece às 08:33 AZOST, com 87,22%. Em Lisboa, o máximo será às 09:44 WEST, com 92,50%; no Porto, às 09:46 WEST, com 82,56%.

Eclipse anular de 26 de janeiro de 2028 em Portugal

Menos de seis meses depois, em 26 de janeiro de 2028, ocorrerá um eclipse solar anular. A faixa de anularidade atravessará partes de Portugal, permitindo observar o «anel de fogo» em Faro e no Funchal. Em Lisboa, Porto e Ponta Delgada, o eclipse será parcial.

Madeira e Algarve: cerca de sete minutos de anularidade

No Funchal, o máximo ocorre às 16:50 WET, com 83,20% da área solar ocultada e cerca de sete minutos de anularidade. Em Faro, o máximo será às 16:55 WET, com 82,78% de ocultação; a fase anular durará cerca de 7 minutos e 1 segundo.

Lisboa, Porto e Açores verão um eclipse parcial

Em Lisboa, o máximo será às 16:54 WET, com 81,23% da área solar ocultada. No Porto, às 16:53 WET, com 75,72%. Em Ponta Delgada, às 15:42 AZOT, com 60,75%. Nestes três locais, a fase anular não será visível.

Atenção ao horizonte: os eclipses de 2026 e 2028 decorrem ao fim da tarde, com o Sol relativamente baixo. Escolha antecipadamente um local com o horizonte oeste desimpedido.

99% de ocultação é praticamente igual a um eclipse total?

Não. A passagem de um eclipse parcial muito profundo para um eclipse total produz uma mudança física e visual enorme. Enquanto ficar visível uma pequena parte da superfície do Sol, continua a chegar luz suficiente para esconder a coroa solar e manter o risco para os olhos.

A percentagem usada neste artigo representa a área aparente do disco solar tapada pela Lua. É mais intuitiva do que a magnitude, mas não substitui o tipo de eclipse: em Faro, 99,27% em 2027 continua a ser parcial; no Funchal, 83,20% em 2028 pode ser anular porque a Lua fica inteiramente projetada à frente do Sol, deixando um anel uniforme em redor.

Como observar um eclipse solar em segurança

Nunca olhe diretamente para o Sol sem proteção apropriada

Nos eclipses parciais e anulares, não há qualquer momento em que se possa retirar a proteção ocular. Use óculos de eclipse ou visores solares próprios, conformes com a norma internacional ISO 12312-2.

  • Óculos de sol normais, mesmo muito escuros, não são adequados.
  • Não use óculos de eclipse riscados, rasgados ou danificados.
  • Câmaras, binóculos e telescópios precisam de filtros solares próprios colocados à frente da ótica.
  • Uma alternativa segura é a observação indireta com um projetor de orifício.

Consulte as recomendações de segurança da NASA. Só dentro da totalidade de 2026, e apenas entre o desaparecimento completo e o reaparecimento da superfície brilhante do Sol, é possível retirar momentaneamente os óculos; na dúvida, mantenha-os colocados.

Perguntas frequentes sobre eclipses solares em Portugal

Onde será total o eclipse de 2026 em Portugal?

A totalidade só será visível numa pequena área do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança, perto de Rio de Onor. No resto de Portugal, incluindo as cinco cidades da tabela, o eclipse será parcial.

O eclipse de 2027 será total no Algarve?

Não. Em Faro, 99,27% da área do Sol ficará ocultada, mas a cidade continuará fora da faixa de totalidade. É obrigatório usar proteção solar durante todo o eclipse.

Onde será visível o eclipse anular de 2028?

O «anel de fogo» será visível dentro de uma faixa estreita que inclui Faro e Funchal. Lisboa, Porto e Ponta Delgada ficam fora dessa faixa e observarão apenas a fase parcial.

Porque há eclipses quase todos os anos, mas a totalidade é rara?

Porque a sombra total da Lua percorre uma faixa estreita e diferente da superfície terrestre em cada evento. Um eclipse pode ser total num continente e parcial, ou invisível, noutro. A raridade de 2026 refere-se à passagem da totalidade por uma pequena parte de Portugal, não à ocorrência de eclipses no mundo.

Os horários são iguais em todo o país?

Não. O início, o máximo e o fim variam com a localização. Os Açores também usam um fuso horário diferente do continente e da Madeira. Confirme sempre a previsão para as coordenadas exatas onde pretende observar.

Três eclipses, três experiências diferentes

O eclipse de 2026 é o mais raro por permitir totalidade numa pequena zona portuguesa; o de 2027 será o mais profundo em Faro, Funchal e Ponta Delgada; e o de 2028 permitirá ver o «anel de fogo» no Algarve e na Madeira. Nenhum destes fenómenos deve ser reduzido a um único número: localização, tipo de eclipse, altura do Sol e meteorologia mudam completamente a experiência.

Guarde as três datas, escolha um local com boa visibilidade e prepare antecipadamente a proteção solar. Perto de cada evento, volte a confirmar a previsão meteorológica e os horários para o ponto exato de observação.

Fontes

NASA

Portugal — Eclipse 2026

Timeanddate

Nota editorial: as previsões dependem das coordenadas exatas e podem apresentar pequenas diferenças de arredondamento entre páginas. Confirme os dados novamente perto de cada evento e consulte a previsão meteorológica local.

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